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Hepatites virais: o que são, e como prevenir e tratar

Na última semana celebramos o  dia mundial de combate às hepatites virais. Saiba mais como se prevenir, tratar, e quais os tipos de  hepatite que existem.

A hepatite é uma doença viral infecciosa que atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Existem cinco tipos identificados de hepatite: A, B, C, D (Delta) e E.

Os tipos A e E só se manifestam de forma aguda, ou seja, o paciente elimina o vírus do organismo após desenvolver a doença. Na maioria das vezes são infecções silenciosas inicialmente, ou seja, não apresentam sintomas. Atualmente, existem testes rápidos para a detecção da infecção pelos vírus B e C, que estão disponíveis no SUS para toda a população.

Todas as pessoas precisam ser testadas pelo menos uma vez na vida para esses dois tipos de hepatite, e as populações mais vulneráveis precisam ser testadas periodicamente, uma vez que elas também são transmitidas sexualmente.

A forma de transmissão das hepatites depende do seu tipo. A melhor forma de evitar a doença é melhorando as condições de higiene, saneamento básico e práticas seguras de sexo. Por exemplo:

– Lavar as mãos (principalmente após o uso do sanitário, a troca de fraldas

e antes do preparo de alimentos);

– Lavar com água tratada, clorada ou fervida os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por 30 minutos;

– Cozinhar bem os alimentos antes de consumi-los, principalmente mariscos, frutos do mar e peixes;

– Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;

– Usar instalações sanitárias;

– No caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas, adotar medidas rigorosas de higiene, tais como a desinfecção de objetos, bancadas e chão, utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária;

– Não tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou próximo de locais onde haja esgoto;

– Evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios;

– Usar preservativos nas relações sexuais.

Saiba mais sobre cada uma delas:

Hepatite A

É uma infecção causada pelo vírus A da hepatite (HAV), também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno; contudo, o curso sintomático e a letalidade aumentam com a idade.

A melhor forma de evitar a doença é melhorando as condições de higiene e saneamento básico.

Hepatite B

É uma doença infecciosa que agride o fígado, sendo causada pelo vírus B da hepatite (HBV). O HBV está presente no sangue e secreções, e a hepatite B é também classificada como uma infecção sexualmente transmissível. Inicialmente, ocorre uma infecção aguda e, na maior parte dos casos, a infecção se resolve espontaneamente até seis meses após os primeiros sintomas, sendo considerada de curta duração. A vacinação é a principal medida de prevenção contra a hepatite B, sendo extremamente eficaz e segura. A gestação e a lactação não representam contraindicações para imunização.

Atualmente, a vacina para hepatite B está prevista no calendário de vacinação infantil. Além disso, o SUS disponibiliza a vacina nas unidades básicas de saúde para todas as pessoas, independentemente da idade. Caso você não seja vacinado ou não tenha feito as três doses da vacina, procure a UBS mais perto de você.

A melhor forma de evitar a doença é através de sexo seguro, evitar compartilhamento de seringas e agulhas, ter seu próprio material de manicure ou buscar locais que esterilizem adequadamente os alicates. A testagem das mulheres grávidas ou com intenção de engravidar também é fundamental para prevenir a transmissão da mãe para o bebê. A profilaxia para a criança após o nascimento reduz drasticamente o risco de transmissão vertical.

Hepatite C:

É um processo infeccioso e inflamatório, causado pelo vírus C da hepatite (HCV) e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. Em geral, a hepatite C é descoberta em sua fase crônica. Normalmente, o diagnóstico ocorre após teste rápido de rotina ou por doação de sangue. Não existe vacina contra a hepatite C.

As formas de evitar a contaminação pelo HCV são as mesmas do HBV. Os medicamentos não ocasionam da cura da hepatite C. O objetivo principal do tratamento é o controle do dano hepático. Todos os pacientes portadores de hepatite B, C e Delta são candidatos à terapia disponibilizada pelo SUS. Todos os pacientes devem ser encaminhados a um serviço especializado. Além do tratamento medicamentoso, orienta-se que a pessoa não consuma bebidas alcoólicas.

Hepatite D

Também chamada de Delta, está associada com a presença do vírus B da hepatite (HBV) para causar a infecção e inflamação das células do fígado. Existem duas formas de infecção pelo HDV: coinfecção simultânea com o HBV e superinfecção pelo HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV.

A hepatite D crônica é considerada a forma mais grave de hepatite viral crônica, com progressão mais rápida para cirrose e um risco aumentado para descompensação, carcinoma hepatocelular (CHC) e morte (FATTOVICH et al.,2000; MALLET et al., 2017).

Os medicamentos não ocasionam a cura da hepatite D. O objetivo principal do tratamento é o controle do dano hepático. Todos os pacientes portadores de hepatite Delta são candidatos à terapia disponibilizada pelo SUS. Todos os pacientes com hepatite D devem ser encaminhados a um serviço especializado. Além do tratamento medicamentoso, orienta-se que a pessoa não consuma bebidas alcoólicas.

A hepatite E é uma infecção causada pelo vírus E da hepatite (HEV). O vírus causa hepatite aguda de curta duração e autolimitada. Na maioria dos casos, é uma doença de caráter benigno. Porém, a hepatite E pode ser grave na gestante e, raramente, causar infecções crônicas em pessoas que tenham algum tipo de imunodeficiência.

O vírus da hepatite E é transmitido principalmente pela via fecal-oral e pelo consumo de água contaminada, em locais com infraestrutura sanitária deficiente. Outras formas de transmissão incluem: ingestão de carne mal cozida ou produtos derivados de animais infectados (por exemplo, fígado de porco); transfusão de produtos sanguíneos infectados; e transmissão vertical de uma mulher grávida para seu bebê.